IPv6 para Provedores de Internet
IPv4 esgotou. CGNAT resolve o curto prazo mas cria custo operacional, log obrigatório e reclamação de cliente. IPv6 é a saída real — e a implantação em dual-stack é menor do que parece.
Por que IPv6 agora, não depois
IPv4 público esgotou no LACNIC em 2014. Cada assinante sem IP público nativo é mais um registro obrigatório de CGNAT, mais um risco de port exhaustion e mais uma fonte de reclamação de cliente com bancário, jogo online e VoIP que se comporta diferente atrás de NAT.
Com IPv6, cada assinante recebe um prefixo próprio (/56 ou /60), sem compartilhamento de IP, sem necessidade de log CGNAT por sessão para esse tráfego, e com compatibilidade nativa com serviços que já preferiram IPv6 (Google, Cloudflare, Netflix). Dual-stack significa que IPv4 continua funcionando normalmente para sites que ainda não suportam IPv6.
Bloco LACNIC: como funciona a solicitação
O LACNIC distribui blocos IPv6 diretamente para ISPs com ASN próprio. O processo envolve documentação técnica que precisa ser submetida pelo responsável técnico do provedor — pois requer autenticação com a conta LACNIC do provedor. Auxiliamos a preparar toda a documentação e o plano de endereçamento exigido antes da submissão.
- Levantamento da base de assinantes e projeção de crescimento para dimensionamento do bloco
- Elaboração do plano de endereçamento (hierarquia de prefixos por região, POP e tipo de cliente)
- Preparação da documentação técnica exigida pelo LACNIC
- Orientação sobre o processo de submissão (a submissão final é feita pelo admin do provedor)
Plano de endereçamento IPv6
Um bloco /32 do LACNIC comporta 65.536 prefixos /48, cada um com 65.536 sub-redes /64. A hierarquia precisa ser planejada antes de começar a distribuir — mudar depois é doloroso.
- Divisão do bloco por região/POP (/36 ou /40 por localidade)
- Sub-blocos por tipo de cliente: residencial (/56 por CPE), empresarial (/48 por cliente), infraestrutura (/64 por link)
- Reservas para crescimento e para serviços internos (loopbacks, P2P, management)
- Documentação em formato que sobrevive à troca de equipe técnica
Dual-stack em PPPoE: configuração no B-RAS
Dual-stack em PPPoE significa que a sessão PPPoE do assinante recebe tanto endereço IPv4 (via IPCP) quanto prefixo IPv6 (via DHCPv6-PD). O CPE do assinante distribui IPv6 internamente via SLAAC ou DHCPv6 para os dispositivos da casa.
- Configuração de IPCP + IPv6CP na interface PPPoE do B-RAS
- DHCPv6-PD delegando /56 ou /60 por sessão conforme perfil do assinante
- SLAAC na interface WAN do CPE para o link PPPoE em si
- Validação de que o CPE está distribuindo IPv6 corretamente internamente (Huawei, ZTE, MikroTik, TP-Link)
Integração com RADIUS: Framed-IPv6-Prefix
Para que cada assinante receba sempre o mesmo prefixo IPv6 (sticky allocation), o RADIUS precisa retornar os atributos corretos na resposta de Access-Accept. Isso é importante para quem tem IP fixo ou para billing por prefixo.
- Configuração dos atributos IPv6 no perfil do assinante no RADIUS (Framed-IPv6-Prefix, Delegated-IPv6-Prefix)
- Pool dinâmico no B-RAS para assinantes sem prefixo fixo cadastrado
- Integração com ERPs que já suportam IPv6 por assinante (MK-Auth, IXC, SGP, Voalle)
- Validação de que o prefixo retornado pelo RADIUS bate com o recebido pelo CPE
BGP IPv6 e RPKI para o bloco do provedor
O bloco IPv6 do LACNIC precisa ser anunciado via BGP IPv6 (AFI 2, SAFI 1) para os upstreams e no IX.br. RPKI também se aplica: o ROA precisa ser cadastrado para o prefixo IPv6 da mesma forma que para o IPv4.
- Sessão BGP IPv6 com upstreams e IX.br (neighbor update-source Loopback IPv6)
- Anúncio do prefixo delegado com filtros de prefixo corretos
- Cadastro de ROA para o prefixo IPv6 no Stat do NIC.br
- Monitoramento de sessão BGP IPv6 separado do IPv4 (Zabbix/LibreNMS)
Redução de dependência de CGNAT
A cada assinante com IPv6 nativo, o tráfego IPv6 sai sem passar pelo CGNAT — o que reduz a carga no equipamento de NAT, reduz o volume de logs obrigatórios e elimina problemas de NAT para serviços que preferem IPv6. Com o tempo, o pool IPv4 do CGNAT pode ser menor.
- Medição do split de tráfego IPv4/IPv6 por assinante após ativação
- Ajuste do pool CGNAT conforme o tráfego migra para IPv6
- Relatório periódico de adoção de IPv6 por segmento de cliente
Como trabalhamos e como começa
Trabalhamos com plano mensal — não fazemos projeto avulso nem diagnóstico cobrado por hora. A primeira conversa não tem custo: ligamos, você compartilha um AnyDesk e nos mostra a rede ao vivo enquanto já vamos comentando o cenário atual de IPv4/IPv6. Se fizer sentido pros dois lados, a gente fecha o mensal e segue daí.
Fale com a gente — conversa inicial sem compromisso. Veja também: CGNAT para provedores, BGP para provedores, PPPoE, RADIUS e B-RAS/BNG.
PERGUNTAS FREQUENTES
Como começa o trabalho com vocês?
A primeira conversa não tem custo. Você nos chama, a gente liga, você abre um AnyDesk e mostra a rede ao vivo. Já vamos comentando o cenário de IPv4, CGNAT e o que precisa pra subir IPv6 dual-stack. Se fizer sentido pros dois lados, fechamos o plano mensal e começamos na semana seguinte.
Vocês submetem o pedido de bloco ao LACNIC pra gente?
Auxiliamos a preparar toda a documentação e o plano de endereçamento exigido. A submissão em si precisa ser feita pelo responsável técnico do provedor com credenciais da conta LACNIC. Na prática, preparamos tudo e você faz o clique final.
Qual prefixo por assinante? /56 ou /60?
/56 é o recomendado para residencial — permite ao CPE criar 256 sub-redes /64, mais que suficiente pra qualquer casa por décadas. /60 (16 sub-redes) é aceitável se o bloco do provedor for menor. /48 faz sentido para clientes empresariais com múltiplas VLANs. Definimos isso no plano de endereçamento antes de começar.
CPF do assinante muda de IPv6? Preciso de novo cadastro?
Não. O assinante continua o mesmo. O que muda é o prefixo IPv6 atribuído na sessão PPPoE — que pode ser fixo (via RADIUS) ou dinâmico (via pool no B-RAS). O cadastro no ERP e o vínculo com CPF/CNPJ continuam iguais.
Quanto tempo demora para os assinantes receberem IPv6?
Depois que o bloco está alocado e o B-RAS configurado, os assinantes começam a receber IPv6 na próxima reconexão PPPoE — sem intervenção no CPE na maioria dos casos. O processo desde a decisão de implantar até os primeiros assinantes com IPv6 ativo costuma levar 2 a 6 semanas, sendo a maior parte desse tempo o processo do LACNIC.